Entendendo a serventia predial: como o direito de passagem e acessos compartilhados alteram o valor de mercado

Entendendo a serventia predial: como o direito de passagem e acessos compartilhados alteram o valor de mercado

Muitos compradores focam apenas na metragem quadrada, na posição solar ou no acabamento dos pisos ao visitar um imóvel. Contudo, ignoram um detalhe jurídico que pode alterar drasticamente a liquidez e o valor real da propriedade: a serventia predial. Quando falamos de direito de passagem ou acessos compartilhados, estamos tocando em um aspecto que define a liberdade de uso do seu terreno e, consequentemente, o preço que o mercado aceita pagar por ele.

A natureza jurídica e o impacto prático no uso

A serventia predial ocorre quando o dono de um imóvel (o prédio serviente) concede ao dono de outro imóvel (o prédio dominante) algum tipo de direito de uso. O exemplo clássico é a passagem forçada ou a servidão de passagem, onde um terreno precisa cruzar o outro para acessar a via pública.

Do ponto de vista estratégico, isso não é necessariamente um problema, mas exige um cálculo de risco. Se você está comprando uma propriedade, precisa verificar na matrícula do imóvel se existe alguma averbação desse tipo. Um terreno que possui uma servidão de passagem permanente pode ter sua privacidade reduzida e limitações severas para futuras construções — como a proibição de erguer muros ou portões que bloqueiem o trânsito do vizinho. Em áreas urbanas densas, onde a valorização imobiliária é medida pelo aproveitamento máximo do terreno, essa restrição pode reduzir o valor venal em até 20% ou 30%, dependendo do grau de interferência que o acesso compartilhado gera no cotidiano.

Estratégias para investidores e corretores

Imóveis em Itu SP

Para quem atua profissionalmente no setor, o segredo está na transparência e no planejamento patrimonial. Já vi negociações serem desfeitas na fase de due diligence porque o comprador descobriu apenas na hora da escritura que o vizinho dos fundos tinha direito legal de transitar pelo pátio lateral.

Se você está vendendo, o impacto da serventia deve ser precificado desde o início. Se o acesso compartilhado é bem organizado, sinalizado e não interfere na rotina, ele pode ser encarado com naturalidade. Por outro lado, se a servidão cria um gargalo logístico, o marketing imobiliário precisa ser ajustado. Não tente esconder o fato; use-o a seu favor. Às vezes, o imóvel pode ser posicionado como uma oportunidade para investidores que buscam terrenos com potencial de desmembramento ou para projetos comerciais que se beneficiam de fluxos alternativos.

Avaliação de risco e valorização futura

A valorização imobiliária é um jogo de longo prazo. Imóveis que carregam servidões mal resolvidas ou conflitos entre vizinhos pelo uso de acessos comuns tendem a sofrer com a estagnação. O mercado pune a insegurança jurídica. Se o comprador sente que terá que enfrentar batalhas judiciais para garantir o fechamento de um portão ou a manutenção da passagem, ele simplesmente buscará outra opção.

Por outro lado, quando o direito de passagem é formalizado e registrado corretamente na matrícula, ele deixa de ser um “fantasma” e vira um detalhe técnico. A segurança jurídica traz liquidez. Para quem deseja investir, a dica é clara: antes de assinar qualquer proposta, peça a certidão de inteiro teor atualizada. Verifique se a serventia é convencional (acordada entre partes) ou se é uma passagem forçada por lei. A diferença entre as duas modalidades dita se você terá poder de negociação para alterar esse arranjo no futuro ou se estará preso a uma condição perpétua.

O sucesso na aquisição de imóveis envolve olhar além da estética. Trate a documentação como parte da estrutura do imóvel. Um terreno com uma servidão bem gerida pode ser um ativo excelente, desde que o preço reflita as limitações e o comprador esteja ciente de que, no mercado imobiliário, a informação vale tanto quanto o concreto. Mantenha o foco na clareza jurídica e evite surpresas que possam comprometer seu patrimônio a longo prazo.

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